Como uma extensão simples do Chrome, sem anúncios, chegou a mais de 400 mil usuários e começou a dar dinheiro

Olá, meu nome é Igor Zuev. Venho da diplomacia e trabalhei alguns anos na Europa. Em algum momento percebi que não queria uma carreira tradicional — queria criar meus próprios produtos de TI para o mercado global.

Игорь Зуев

No começo, eu trabalhava para clientes. Mas logo ficou claro: serviços são difíceis de escalar. Então passei a focar em produtos próprios.

Desde então, lancei dezenas de microprodutos, alcancei milhões de usuários e passei de US$ 1,5 milhão em receita anual.

Neste caso, vou detalhar um dos meus projetos: Dark Mode for Google Docs.

Não é uma história de investimento de risco, equipes grandes ou anos de desenvolvimento.

É o contrário: um produto bem simples, feito rápido, lançado sem tráfego pago e que cresceu em cima de uma demanda que já existia.

Sobre o Dark Mode for Google Docs

À primeira vista, a ideia parece simples demais para dar dinheiro. Mas, na prática, esse tipo de produto costuma ter o melhor desempenho.

Em vez de tentar inventar algo novo, você pega um problema claro que as pessoas já querem resolver — e cria uma ferramenta simples e prática para isso.

Neste caso, vou mostrar:

  • como surgiu a ideia
  • como foi feita a primeira versão
  • o que impulsionou o crescimento
  • e como o produto começou a dar dinheiro

De onde veio a ideia

Não é um sucesso pontual nem sorte.

Não tenho ideias do tipo “vamos criar uma startup”. Minha abordagem é outra — começo pela demanda.

Crio produtos em torno do tráfego que já existe. Sem arquitetura complexa, sem meses de desenvolvimento e sem chute.

A lógica é simples: primeiro descubra o que as pessoas já procuram → depois crie uma solução para isso.

Não “melhor do que todos”, mas mais simples e mais claro para um caso de uso específico.

A maioria faz o contrário: começa com uma ideia e depois tenta encontrar demanda. Por isso a maioria dos produtos fracassa.

Neste caso, tudo era óbvio:

  • a demanda já existia
  • as soluções já existiam
  • os usuários já estavam procurando

O objetivo não era inventar algo novo, e sim se encaixar na demanda existente.

Deixar mais simples

Não tentei deixar o produto “melhor”. Deixei mais simples.

Peguei uma tarefa específica — ativar o modo escuro no Google Docs — e tirei tudo o que era desnecessário.

O resultado é um fluxo bem simples: abrir → ativar → usar.

Sem configurações extras, sem interface complicada, sem curva de aprendizado.

Isso impacta diretamente as principais métricas:

  • maior conversão em instalações
  • melhor retenção
  • melhor experiência do usuário

Como fiz a primeira versão

Não criei o produto do zero.

Peguei uma solução open source e reempacotei para um caso de uso específico: simplifiquei a lógica, tirei partes desnecessárias e adaptei para o Google Docs.

Não foi um desenvolvimento tradicional — foi uma montagem rápida.

A primeira versão levou cerca de uma semana. Sem equipe, sem arquitetura complexa, sem perfeccionismo.

Só uma versão boa o bastante para:

  • conseguir os primeiros usuários
  • testar a reação do mercado
  • seguir em frente

Crescimento

O começo foi lento — cerca de 100 a 200 instalações nos dois primeiros meses.

Sem picos. Sem “crescimento viral”.

Mas depois o produto começou a crescer de forma constante — e não por acaso.

Ele foi construído em cima de uma demanda existente, então:

  • não era preciso explicar o valor
  • não era preciso “aquecer” os usuários
  • não era preciso “vender”

As pessoas já procuravam uma solução. Só precisavam de uma ferramenta simples.

Principais fontes de tráfego:

  • buscadores
  • Chrome Web Store

Observação importante: todo o crescimento é orgânico. Grande parte vem de SEO e da otimização para a Chrome Web Store. Nos meus produtos, foco muito na distribuição — ela é 80% do trabalho. Mas isso é assunto para outro texto.

Monetização

Não monetizei logo de cara.

Primeiro, o produto entregou valor. Isso é fundamental.

O usuário precisa:

  • instalar o produto
  • começar a usar
  • incorporar ao trabalho diário

Só depois disso entra o paywall.

Nesse ponto, o valor já é óbvio. Não é preciso explicar por que pagar.

A conversão acontece naturalmente — sem pressão nem venda agressiva.

Por que as pessoas pagam por um recurso tão simples

Pode parecer estranho pagar por algo tão simples.

Mas não é uma questão de complexidade. É sobre:

  • com que frequência o produto é usado
  • o quanto ele está integrado ao fluxo de trabalho

Para quem usa o Google Docs todo dia, o modo escuro passa a fazer parte do ambiente.

E, se uma ferramenta melhora sua experiência o tempo todo, você está disposto a pagar por ela.

Receita

Hoje, a extensão gera cerca de US$ 600–700 por mês.

A monetização não veio de imediato. Por muito tempo, o produto rendeu US$ 0 — e isso foi intencional.

Primeiro a audiência → depois a monetização.

Além disso, muitos usuários chegaram antes do paywall e continuam usando de graça.

O modelo é simples:

  • assinatura → receita recorrente
  • lifetime → pagamentos únicos

Detalhe interessante: mais de 50% dos usuários pagantes escolhem o plano lifetime — a opção mais cara.

O que este caso realmente mostra

  • Não invente — encontre demanda
  • Não complique — resolva um problema
  • Não adicione — tire
  • Não adie — lance rápido

É isso que realmente traz resultado.

E a ideia principal:

Se já existem soluções, isso não é um problema.

Significa que já há demanda e dinheiro no nicho.

A única pergunta é: você consegue deixar mais simples e mais claro para um caso de uso específico?